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domingo, 19 de março de 2017

Minha aventura como dona de loja.

Parece engraçado dizer que isso foi uma aventura, mas é a simples verdade. Em 2007 quando pedi meu desligamento da Izzo, representante da Harley Davidson aqui no Brasil, tudo que fazia referência a marca me anojava, não conseguia me relacionar com as pessoas desse meio e até o ronco das Hds me fazia virar de costas, estava me sentindo tão de saco cheio de tudo que decidi até vender minha Harley. Comecei então a trabalhar com outro produto, que não tinha nenhuma ligação com esse mundo. Estava feliz com minha escolha e procurando preencher meu tempo com a família e os amigos, para nem sentir falta das motos. Vários clientes antigos me ligavam e alguns até fizeram propostas para que eu vendesse as motos deles, mas eu não tinha interesse. Até que em um belo dia um velho amigo chamado Ronaldo me ligou, cheio de planos me pediu que ficasse com uma Honda, Fireblade e tentasse vende-la, como a marca e modelo eram bem diferentes, topei, e ele mandou a moto de Campo Grande para mim. E eu passei a anuncia-la e usa-la para ir ao trabalho. A deixava exposta em frente ao meu negócio e assim todos que passavam sabiam que ela estava a venda.



Já tinha alguns meses que meu negócio paralelo estava funcionando e bem e um vizinho resolveu sair do imóvel alugado ao meu lado, e sugeriu que eu ficasse com sua loja e colocasse lá a moto que estava a venda, seria um hobby, mas também uma forma de complementar minha renda, disse ele. E eu gostei da ideia, mas procurei conselho, falei com uma amiga que tinha loja do ramo de motos usadas, e o retorno foi positivo também. Analisei rapidamente o plano, pois não queria perder a oportunidade de um imóvel tão bom e perto, que me daria a chance de cuidar das duas empresas.
Foi então que em setembro de 2007 comecei a Marta Motorcycles. Com apenas uma moto e em menos de uma semana de funcionamento não tinha mais lugar, eram 7 motocicletas a venda e já cogitava alugar uma vaga de garagem para colocar mais algumas, em menos de um ano tive que me mudar, o movimento era tão intenso que tive que contratar o filho e uma amiga para ajudar, passei para frente meu negócio de filtros e fui cuidar apenas das motos, já não tinha mais asco, voltava a sentir prazer em atender, conversar sobre e escutar as HDs. Tudo veio em uma mudança tão repentina e prazerosa que eu não podia acreditar, passei a entender que o que me trazia nojo não era a marca ou pessoas ou o ronco e sim a forma como isso era trabalhado pelos meus antigos empregadores, e hoje consigo perceber o quanto me fez bem trabalhar com eles, pois aprendi muito, apesar de toda a minha história, moldada em casa por meu pai, foi na Izzo que aprendi sobre as Harley Davidson e sobre a história dessa marca no Brasil, participei dela e participo até hoje. Longa vida a Marta Motorcycles, por favor!!!!!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Harley Mind

Era 1998, fazia muito tempo que as motocicletas surgiam em meus sonhos, mas na vida real estavam longe de se materializar, trabalhava para uma marca francesa e a faculdade de Estudos Sociais me consumia todo o tempo restante, mas quase no final do ano conheci um homem, seu nome é Eduard, um amigo nos apresentou, nascia ali uma amizade, que me rende até hoje boas lembranças.
Um canadense que vivia no Brasil, me contou em uma de nossas conversas, que tinha uma moto, com emoção, foi o que percebi, que era uma Harley e que nunca imaginou te-la, mas que lhe havia trazido muitas alegrias. E me ofereceu conhece-la, claro que eu aceitei, e me imaginei ao lado da bela máquina, olhando, rodeando-a quase hipnotizada. E esperei que fosse logo. Eis que chegou o dia e de uma breve explicação saiu uma volta na Harley, uma 1958, se não me engano, MEU DEUS!!!! Foi demais!!!!! Quando passávamos com a Harley as pessoas olhavam de dentro dos carros e as crianças acenavam, Os outros motociclistas davam um positivo, todos admirando aquela lenda, ali, tão viva, roncando alto na pista.
Algumas semanas depois fui a um encontro, na nossa querida Antonina - PR, tinham muitas Harley, pelo menos me parecia em 1998!! Nunca tinha visto tantas! Talvez 30 delas. Vi Shovelheads, Panheads e as mais modernas as Evolutions.
Seus pilotos eram animados e nas conversas regadas a largas gargalhadas falavam sobre suas motos, seus poderosos motores e sobretudo, sobre suas viagens, as que já traziam na memória e as que ainda planejavam fazer. Fui me envolvendo, ficando a vontade, já sabia pilotar, já tinha gasolina nas veias, mas aquilo era como se me tivessem ligado o RUN!!! Bom, lá se vão 19 anos. Nada!!! Perto de tudo que ainda preciso saber, viver, sentir, rodar, dividir e aprender!



quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Estrada para Mostardas.
Em janeiro de 2014 eu estava sem muitos planos para minhas férias, quando minha grande amiga Lisiane me ligou e disse, " Dinda, vamos fazer alguma coisa, tenho 10 dias de férias e queria viajar com você". E eu respondi, se topar ir ao Uruguay de moto, posso começar a planejar nossa viagem agora, e a resposta foi rápida! " Topo", disse ela.
Foi então que de posse dos meus mapas comecei a traçar nossa rota, que pretendia seguir na ida pela RS 051, estrada que corta o Rio Grande do Sul até São José do Norte, dando travessia de balsa até a cidade de Rio Grande, quase fronteira do Brasil com Uruguay.
Tudo pronto, partimos, bem cedinho, com ideia de rodar cerca de 800 quilômetros, até cidade praiana de Mostardas, onde passaríamos a noite em um pequeno hotel.
A viagem foi tranquila, com a grande parceria de sempre e com lindas paisagens, principalmente nos últimos quilômetros, que nos deram a sensação de descanso, e de querer andar mais, lembro bem que ao avistar a placa que indicava a distância até Mostardas de apenas 80 Km, pensei, puxa, não acredito que já estamos chegando...
E assim foi, chegamos cedo, o sol ainda estava alto, e para não ir direto ao hotel, que ficava perto da estrada sugeri a Lisi que fossemos ver a praia, pois conforme um morador ficava a apenas 4 km, e fomos, mas ao ver a estrada e senti-la sob minha moto, pensei, isso não vai dar certo, era de areia fofa, quase sem fundo, mas me concentrei, olhei para a frente e fui. Percebi, através dos espelhos. que minha parceira também veio, então foquei na frente e continuei, pensando na merda que havia começado. Duas curvas depois olhei nos espelhos e não a vi, então resolvi parar, foi quando senti a moto de mais de 400 quilos afundar na areia, era quase impossível fazer a volta. Mas eis que vinha tranquilo e calmo e sua XLR 125 um morador, e ao me ver parou para ver se precisava de ajuda, me socorreu e fizemos a volta, duas curvas depois avistei minha amiga, tombada e sem condições de levantar a moto sozinha, parei, desci, levantamos sua moto, pilotei até o asfalto e voltei correndo buscar a minha, que ficou lá abandona por alguns minutos.
Então indaguei o rapaz, me diga, a estrada é toda assim os 4 quilômetros? E ele respondeu, " sim, é toda assim, mas são 16 na verdade, vocês só conseguiriam voltar de guincho".
Puxa vida, como atrapalha uma informação errada!! Concluí.
Fomos ao hotel, descansamos e no outro dia conhecemos a tal praia, linda, deslumbrante, coisa de cinema, na minha opinião.
Um dia voltarei!!
Cruzamos no Chui, algumas horas depois.
Terminamos o dia em Punta Del Diablo, outro lugar indelével, depois de cruzar a Lagoa dos Patos com a balsa, saborear as imagens da Reserva Ecológica do Taim, ver os flamingos, capivaras, descobrir que tinha perdido todo meu dinheiro e ter que trocar de hotel, tudo terminou maravilhosamente bem!!!









segunda-feira, 9 de maio de 2016

Eu e o Claúdio.

É um tive um vizinho chamado Claúdio, e o cara era muito gente boa!

Já que meu pai adiava, sem dó, minhas primeiras aulas, restou-me, como que na brincadeira, perguntar ao meu vizinho, se ele poderia me ensinar a pilotar.
Garanti que já tinha tido minha primeira aula, o que nunca deixou de ser verdade, e que poderia conduzir sua "enorme motocicleta", com 14 anos todas pareciam grandes! Mas aquela 125 vermelha parecia uma CB400! Tinha os detalhes dourados e aquilo a fazia linda, ao meu ver!
Ele sem medo concordou, e fomos, eu na "boléia" e ele na garupa.
Arranquei sem pestanejar, fomos durante três quadras, mudando algumas marchas, testando o acelerador, com um sorriso que não era meu. Até que ele disse, "vire a direita", eu bem que tentei...
Mas nada saiu como eu planejei, e ao fazer a curva, conheci minha primeira valeta, mas conheci profundamente!
Voltei na garupa, da moto cheia de merda, mas finalmente minha segunda aula. Marcante!

sábado, 7 de maio de 2016

Aos 13...

E eu já tinha 13 anos, já estava familiarizada com a motocicleta, ela já me levara várias vezes em sua garupa, com meu pai na condução, claro! 
Mas eu queria mais, queria eu mesma conduzir o "bicho" (CGzinha 125), ter a emoção de sair sozinha. Me restava tentar convencer meu pai de que eu era capaz, mas como?
Com jeitinho cheguei falando... "Pai, se eu lavar sua moto, você me ensina a pilotar?"
Não esperava que ele topasse, mas para minha surpresa, sua resposta foi sim. Foi aí que dei tudo de mim, levei, escovei, lustrei, me esmerei para que fosse o melhor banho já dado naquela moto. Ao terminar, toda orgulhosa, cobrei primeira minha aula, meu pagamento, mas meu pai disse. "Marta, eu vou te ensinar, mas não será hoje, pois você me pediu para eu te ensinar, mas não combinamos quando."
Bobeira a minha, que serviu como ensinamento, tanto de como lavar bem uma moto, quanto de como negociar um pagamento pelo serviço.
Dois meses depois, lá estava eu novamente, fazendo uma nova tentativa. Lavei, lustrei, e fiz de tudo para que ela ficasse como nova. E já sentada na moto, ligada, cobrei meu pagamento, dessa vez combinado para o mesmo dia! E veio meu pai, dar as dicas da tão esperada primeira voltinha.
Ele me ensinou sobre as marchas, a embreagem e o acelerador e eu fui... Rsrsrs. Calma, não tão rápido assim.
Pois quando percebi, estava acelerando, mas a moto não saia do lugar, meu pai, mais que esperto, levantou a traseira da moto, freando meu primeiro vento no rosto e consequentemente meu sorriso.
E eu o ouvi dizendo atrás de mim. "Pronto, acabou sua primeira aula."
Nossa, lembro que foi uma decepção, achei que ia sair passeando, assim, fácil, de primeira... mas meu pai sempre soube o que estava fazendo!



quinta-feira, 5 de maio de 2016

Cuidados ao deixar sua moto para vender.

Pessoal, sei que é fácil falar isso de quem trabalha no ramo, mas prestem atenção a algumas dicas ao deixar suas motocicletas para vender. 
Além de todo o cuidado com a escolha da revenda, que é um caso a parte, quero falar sobre os cuidados com a motocicleta mesmo.
Muitas pessoas ao decidir vender algo, pensam... Ah, como vou vender, deixa como está, isso é sinal de problemas lá na frente. Problemas ocasionados por falta de cuidado do vendedor recaem sobre ele uma hora ou outra, falta de manutenção adequada podem causar quebras, são os chamados problemas ocultos. Além disso, a lei do retorno sempre vale para nós também.
O abastecimento por exemplo, muitas pessoas deixam as motocicletas para vender com a gasolina na reserva, o que acontece é que na loja a motocicleta é ligada diariamente, as vezes mais de uma ou duas vezes por dia, fazendo com que os resíduos, sujeiras e outros componentes presentes no resto de combustível dirijam-se aos bicos injetores ou ao carburador, trazendo problemas para todo o sistema. Vale a pena colocar um "vintão" e não passar por isso.
Outra coisa é a revisão, sei bem dos custos que podem chegar até a mais leve das manutenções em nossas máquinas, mas o custo de fazer um motor, buscar a moto de guincho, pagar a locomoção do comprador e outras despesas podem ser infinitamente maiores... Então pensando nisso, faça uma revisão antes de vender. 
Pneus. Puxa vida, como vejo motos a venda com pneu careca, preciso comentar?
Bateria, volta e meia me deparo com motocicletas que não tem bateria nem para que o interessado possa ouvir o som da poderosa, isso é no mínimo desanimador, se não pode colocar uma original, pelo menos uma paralela de boa qualidade.
Tudo isso, pode fazer com que a venda ocorra mais rápido, mais fácil e sem retornos e preocupações para quem vendeu e quem comprou, e assim cultivamos boas e belas amizades, ao invés de más e terríveis inimizades!


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

As surpresas da estrada!

E numa linda tarde de sexta-feira, 04 de novembro de 2011, saí eu de Curitiba, em direção a bela e famosa Rio de Janeiro! Passei pelo ponto de encontro, onde todos perfilados, esperavam a hora de partir, como quem nada quer com a formação, fui-me embora, ser feliz, sozinha na estrada.
Eu, minha Fat Boy, 2008, meu som, e  desejo de chegar antes do anoitecer.
Era lindo, quem me via passar, logo notava o ronco da HD, (escapes Freedom, tip off shot shot) e assim, esticavam o pescoço para ver melhor. Enquanto isso, eu acelerava com gosto, pois como disse, não tinha tempo à perder. Foi na altura de Guararema, lembro muito bem, que parei em um pedágio, e ao retirar o dinheiro, ouvi ao longe outra HD roncando. Pensei que iria ganhar companhia, talvez um casal, ou um homem indo ao mesmo encontro que eu, o Rio Harley Days. Paguei, e saí devagar, pela pista da direita, pois queria ver quem estava na minha cola. Mas cerca de 2 minutos depois, eis que lá vem ela, uma Fat Boy, fazendo a curva de alta com as pedaleiras do chão. Ao passar por mim, notei, quase em fúria, que o pilota tinha uma peculiaridade, era uma "pilota". Saí em disparada, como se desafiada, buscando o vácuo da tal moça. Curva pra cá, curva pra lá, 160km/h. Alcancei, o que me custou, pois a "danada" tocava sem medo, e entrava nas curvas quase beijando o chão. Seus cabelos, ali, chacoalhando à minha frente, e eu tentando acompanha-la. E pensando... não pode!!! Essa moto tá envenenada! E 10 quilômetros depois, encosta outra moto, uma V. Strom, com um rapaz. Que me fez sinal de positivo, e completou explicando que ele e a moça a minha frente, estavam juntos, e assim continuamos. Ao chegar no portal da cidade, voltou a sinalizar, agora perguntando se eu aceitava parar, para beber algo ou comer, e eu logo aceitei. Eu queria saber mais, sobre a moça, na verdade, que vinha à minha frente, tocando o terror naquela Fat Boy com motor Evolution. Encostamos e nos sentamos à mesa, pedi um refrigerante e fui logo perguntando aos recém apresentados. " Vocês vão ao Rio?" Eis que, descobri que não, apenas saíram para aquele breve passeio. Mas eu ainda queria saber mais, o mais importante, e completei. " Menina, você anda muito bem de moto, eu disse. E ela respondeu: "Hoje em dia estou meio "cagona", problemas pessoais. Já andei muito melhor! "
Ao ouvir isso, só me restou ir embora...

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Once upon a time.

Faz muito tempo que quero escrever algumas passagens da minha vida motociclística, mas a falta de tempo e a distração com o facebook, sempre atrapalharam este projeto. Enfim... hoje estou aqui!



Once upon a time... Nos idos de 1980, meu pai resolveu comprar uma moto, na época, era linda, grande, (125cc) e poderosa, ao meu ver, afinal eu só tinha 8 anos! Logo de cara me apaixonei por aquele "bicho", parado ali na minha frente, toda amarelinha, me chamando... mas levou algum tempo para que meu pai ganhasse confiança, e me chamasse para uma breve volta em sua garupa... foi demais...

Nos anos seguintes, fui ficando íntima do "bicho", fui chegando mais perto, tentando conhecer melhor, e um dia, sozinha em casa, experimentei seu peso, nossa, como pesava, e lá se foi meu primeiro espelho retrovisor, que claro, levei anos para confessar ao meu pai que fui eu que quebrei, como coloquei a moto em pé? Sinceramente não sei... foi um misto de jeito e medo do meu pai!